Era uma noite quente de verão...
Ele já estava fora de casa há dois dias e sentia-se pouco
confortável apesar de todo o acolhimento e carinho da família que o recebera...
O dia havia sido monótono... Não havia companhia ali que
pudesse alegrá-lo.
Haviam dois casais... Um composto por um homem e uma mulher
que já haviam passado da meia idade. Eram pais de um querido amigo seu, mas
pessoas velhas, com mentalidades velhas. Embora tivesse dado uma risada aqui e
conversado determinado assunto ali, ele ainda não sentia-se entre amigos. O
outro casal era composto pela filha mais nova e seu namorado. Ela, uma moça
muito bonita e alegre que provavelmente fazia do namorado um cara de sorte. Ele
lamentou por um momento que não fosse ele o namorado daquela moça, mas logo
voltou a si.
A monotonia vivida naquele dia, onde já havia cumprido sua
tarefa naquele local, o levou a lembrar-se dela... Sim, Stella que há pouco o
havia abandonado. Lembrou-se da pequena e de como ela costumava deixa-lo feliz
em momentos como este. Nenhuma das duas estavam mais ao seu alcance. Por um
lado, ele não queria mesmo que estivessem. Nunca sentiu-se completo ao lado de
Stella e nem mesmo sequer podia compreender porque a amava e porque ainda
sofria por ela.
Ainda assim a solidão conseguiu toma-lo no colo como um de
seus filhos pequenos a quem ela tanto quer carregar. O cuidado da solidão era o
único carinho que ele recebia naquele dia. Sentia-se só. Carente. Necessitado
de um abraço, mas não de qualquer um. Precisava de um abraço dela. Só os braços
dela tinham força para lhe dar a certeza de um futuro que se aproximava.
Pensou em procura-la com uma desculpa qualquer. Descobriu
que ela festejava com amigas. Lembrou-se que ela ainda tinha vida além dele. Desistiu.
Afundou-se novamente em seu mundo interno. Não interagiu mais com a família
naquele dia, apesar de todos os esforços que eles faziam. A tristeza diminuiu.
A solidão aumentou. Já imaginava o que faria no próximo ano, quando estaria
completamente só pela primeira vez em sua vida. Sem amores. Sem amigos. Sem família.
Não parecia haver possibilidades que o consolassem naquela noite. Decidiu
escrever. Escreveu. A solidão não passou. A monotonia também não. O namorado da
moça veio perguntar se ele queria beber um leite com toddy e então ele decidiu
parar de escrever... Disse que estava bem, mesmo não estando. Não queria nada..
Não queria ser consolado e nem distraído por nada. Nada que não fosse Leia...
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