quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Talvez o primeiro devaneio

27-12-2015



Era uma noite quente de verão...
Ele já estava fora de casa há dois dias e sentia-se pouco confortável apesar de todo o acolhimento e carinho da família que o recebera...
O dia havia sido monótono... Não havia companhia ali que pudesse alegrá-lo.
Haviam dois casais... Um composto por um homem e uma mulher que já haviam passado da meia idade. Eram pais de um querido amigo seu, mas pessoas velhas, com mentalidades velhas. Embora tivesse dado uma risada aqui e conversado determinado assunto ali, ele ainda não sentia-se entre amigos. O outro casal era composto pela filha mais nova e seu namorado. Ela, uma moça muito bonita e alegre que provavelmente fazia do namorado um cara de sorte. Ele lamentou por um momento que não fosse ele o namorado daquela moça, mas logo voltou a si.
A monotonia vivida naquele dia, onde já havia cumprido sua tarefa naquele local, o levou a lembrar-se dela... Sim, Stella que há pouco o havia abandonado. Lembrou-se da pequena e de como ela costumava deixa-lo feliz em momentos como este. Nenhuma das duas estavam mais ao seu alcance. Por um lado, ele não queria mesmo que estivessem. Nunca sentiu-se completo ao lado de Stella e nem mesmo sequer podia compreender porque a amava e porque ainda sofria por ela.
Ainda assim a solidão conseguiu toma-lo no colo como um de seus filhos pequenos a quem ela tanto quer carregar. O cuidado da solidão era o único carinho que ele recebia naquele dia. Sentia-se só. Carente. Necessitado de um abraço, mas não de qualquer um. Precisava de um abraço dela. Só os braços dela tinham força para lhe dar a certeza de um futuro que se aproximava.
Pensou em procura-la com uma desculpa qualquer. Descobriu que ela festejava com amigas. Lembrou-se que ela ainda tinha vida além dele. Desistiu. Afundou-se novamente em seu mundo interno. Não interagiu mais com a família naquele dia, apesar de todos os esforços que eles faziam. A tristeza diminuiu. A solidão aumentou. Já imaginava o que faria no próximo ano, quando estaria completamente só pela primeira vez em sua vida. Sem amores. Sem amigos. Sem família. Não parecia haver possibilidades que o consolassem naquela noite. Decidiu escrever. Escreveu. A solidão não passou. A monotonia também não. O namorado da moça veio perguntar se ele queria beber um leite com toddy e então ele decidiu parar de escrever... Disse que estava bem, mesmo não estando. Não queria nada.. Não queria ser consolado e nem distraído por nada. Nada que não fosse Leia...

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